Minha entrevista ao site “Como eu Escrevo”

Fui entrevistado pelo site Como eu Escrevo, um projeto muito bacana que perguntou a vários escritores sobre seus hábitos de escrita, rotina, preferências e visões sobre literatura. Abaixo você confere um trecho da entrevista e um link para o texto completo.

Como você começa o seu dia? Você tem uma rotina matinal?

Sei que não é algo muito fora do normal nem interessante, mas costumo começar o dia com o café da manhã. Geralmente é café com leite, acompanhado de pão com margarina, com queijo ou frios. Antes da pandemia, eu costumava acordar às 6 da manhã e me preparar para sair de casa às 7, para trabalhar em uma função não relacionada à literatura. Apesar disso, o tempo todo estou pensando em coisas para escrever, inclusive de manhã, no transporte público. Acabou virando um hábito. Acho que isso se deve em grande parte ao Fala Aeh! (https://falaaeh.wordpress.com/), um blog que eu mantenho desde 2009 e me ajuda a escrever quase todos os dias. Acabo tendo ideias pela manhã, mas sinto que penso melhor à noite. Em geral, tenho muita preguiça durante as manhãs.

Em que hora do dia você sente que trabalha melhor? Você tem algum ritual de preparação para a escrita?

Sem dúvida, de noite eu escrevo bem melhor. Em parte é porque a preguiça da manhã passa quando a noite chega. No mais, parece que a ausência de sol e a presença da lua e das estrelas me afetam de algum modo. Às vezes me pego olhando o céu noturno, então penso no universo e os mistérios que ele abriga. Um bom exemplo das limitações do conhecimento humano está justamente no universo e o quanto ainda não sabemos sobre seus limites, origem, possíveis civilizações… Então penso no universo que existe em cada um, e o quanto não sabemos sobre o universo dos outros e do nosso próprio. Esse mistério, que pra mim ronda tudo o que existe, me atrai de um modo irresistível no sentido de tentar entender. E pra tentar entender a vida de modo geral, escrevo. É claro que de dia o universo continua lá, mas isso me parece muito mais evidente quando a luz do sol não ofusca todos os outros astros. Além disso, as noites me parecem mais silenciosas, tranquilas, e ouço no máximo latidos distantes de cachorros. Essa calmaria permite, digamos, que as águas da minha mente parem de se agitar e me permitam ver o que está no fundo. Quando isso acontece e não tenho nenhum compromisso no dia seguinte, costumo ter madrugadas bem produtivas.

Não tenho propriamente rituais para escrever. O mais comum é eu estar em um estado emocional que só eu conheço, mas não consigo explicar bem. Quando entro nesse estado, é comum que eu anote coisas no celular ou pedaço de papel mais próximo. Tem também outra coisa, que eu considero mais uma técnica do que um ritual: se quero usar uma experiência pessoal como ponto de partida para escrever, ouço uma música que me faz lembrar de determinado momento. Essa associação entre momento e música ocorre naturalmente e com frequência, porque sempre estou ouvindo álbuns e discografias inteiras. Ao ouvir a música associada à lembrança, mergulho numa atmosfera emocional que simula o que foi vivido. A partir daí, tento traduzir as imagens da memória em palavras. Claro que não é um processo exato, mas é um dos poucos que conheço.

Leia na íntegra clicando abaixo:

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