Lembranças vítreas

Standard

Rosto colado ao vidro do coletivo
Batalha interna contra memórias douradas
O vidro do coletivo se estilhaçou
Bem como as memórias, ah, memórias!
Se despedaçando como vidro, trincando
Se reduzindo a pedaços, virando pó
Que sujará de leve os vidros de outros coletivos.

Cor respirável

Standard

Respirei azul na beira do mar
Sentei à fogueira de pescadores no vilarejo
Perto dos humanos sem estar longe dos deuses
Me debrucei sobre o muro alentejano e branco
Avistei o relâmpago de Zeus
Avistei a flecha do Centauro.

Bilhete

Standard

No futuro espero que te encontres

 de pé e pura em tua forma mais genuína.

Se hoje te balançam sob os pés pesados montes

que amanhã te balancem somente a água e a brisa.

No futuro te espero encontrar

Em tua forma original,

Ainda que alterada,

Ainda que modificada,

Ainda que convencionalmente à marginalidade do normal.

Espero te encontrar

E espero que já estejas dentro de ti achada

Para que no futuro não perceba eu

Que te busquei

E te encontrei.     

Expansão

Standard

Debruçou-se sobre a cama

Tomou sobre a mão

A chave.

Em sua fronte

púrpura borboleta

pousou.

E foi quando

desprendeu-se,

dos lençóis e do colchão,

das paredes

e do teto.

Desprendeu-se

e com gélido vento sobre a face

acima das nuvens

se desfez.

Atravessou a atmosfera

Caíram-lhe as roupas,

Desfizeram-se-lhe os pés.

No vazio cheio se viu.

Se perdeu

Se achou.

E acima de todas as coisas,

Formigas em tribos

Em caixas de vidro

– sorriso frio que mareja os olhos –

Observou.

Em silêncio.

Não desejar

Standard

Se atira o ar
Avante
Esbarra no sino dos ventos
Notas musicais cristalinas
Rastro translúcido de prosperidade.

Erros

Standard

Era para sussurrar; gritei
Era para assobiar; cantei
Era para falar; calei
Sendo o momento de estar só, lhe chamei
E hoje agradeço por ter feito sempre
Algo diferente do que eu devia fazer.

Cresceu

Standard

Rompe-se o fio entre pipa e menino
Pipa voou desgarrada, menino andou sem destino
Pipa pousou em terreno elevado
Menino cresceu mas guardou bom passado.

Evolução em quatro atos

Standard

Rápido, disse a lebre
Devagar, disse a tartaruga
Voando, disse o pássaro
Imaginando, disse Einstein.

Só isso, tem nada pra decifrar, não

Standard

O tempo derramou sua inconstância
Pelas gotículas de água
Enquanto Nêmesis, a Deusa da Retribuição
Deu aos heróis trágicos seu fatídico soldo
Por fim, o DNA de Castor e Polux
Se extinguiu do espírito de Gaia
E Apolo finalmente pôde desfilar
Sua biga arrastando o Sol.

Colheita

Standard

Eis que sobre uma rocha
Há uma flor que desabrocha
Tanto seduz com seu perfume
Que outras flores sentem ciúme.

Diário de cavalaria

Standard

Rememorando as viagens
Cada uma lhe deu um cristal
Cada um contém as miragens
De embates do Bem contra o Mal.

Tratado sobre as nuvens

Standard

Era uma nuvem enorme
Chovendo sobre um vilarejo
Ela subiu centenas de metros
E os pingos ficaram menores
Subiu ainda mais
Os pingos se desmancharam em vapor
Subiu muito mais, viu o espaço
Viu planetas e constelações e galáxias
Só assim a nuvem desapareceu
E com ela, a chuva no vilarejo.

Sabedoria antiga

Standard

O tarot previu
O céu anunciou
A noite não surgiu
E o dia então brilhou.

Fábula do Macaco e do Burro

Standard

O Macaco, brincalhão, subiu no telhado
E a todos alegrou com seu sapateado
O Burro trotou ao seu lado,
balançando as orelhas
E foi assim que, dançando,
quebrou várias telhas
O Fazendeiro açoitou-lhe, agressivo
E o Burro, zurrando, perguntou o motivo
O Fazendeiro explicou que macaco na telha
Não tem nenhum problema
Já o burro em seu lugar,
Destruindo, é um dilema.

Chuveiro

Standard

Cheiro de chuva no ar
Caindo na terra, no asfalto
Frescor de banho tomado
Que só perde para seu cheiro
Ao sair de debaixo do chuveiro.

Diálogo

Standard

Disse-me ele:

– Vá, amor… Que já é tempo de ir.

Suavemente me virei e proferi:

– Deixe-me mais um pouquinho, deixe-me estar aqui…

Depois pensamos juntamente e concluímos que já era hora.

Fui pela tarde e pela noite ouvi seu chamado. 

Disse a ele e insisti:

– Não importa o que diga, aqui permanecerei!

Ele se virou e sorriu:

– Volte, então! Venha até mim!

Agora, já não sei há quanto tempo moro em seu abraço.

Segredo de confissão

Standard

Contou um segredo ao amigo
Só ficaria entre os dois
O amigo contou pra esposa
Morreria ali
A esposa confessou ao padre
Segredo de confissão
E o sermão da missa seguinte
Foi sobre infidelidade
Conjugal no bairro.

Uma Prosa Para Teu Olhar

Standard

Eu te gravo. Em prosa e em poesia te materializo, assim como teu corpo teso, duro, são e como os sinos da igreja que nos despertam pela manhã. Então, a cada dia, se gera em mim uma nova obra, motivada pela gana de viver que me concedes, motivada pela gana de você que em mim despertas. E sobretudo, uma prosa devo ao teu olhar e que seja ela suficientemente poética como a chuva que escorre pelo vidro da janela, mas simples como o café quente sobre a mesa, pois aqui estamos nós, apenas almas, apenas corpos estendidos sobre a cama… Tua mão que pousa duramente sobre mim, me faz querer afogar-me profundamente em teu abraço. Eu clamo para que venhas, depressa e sem fim, para dentro de meu ser e tu ordenas para que eu te mire… Diante dos teus olhos marrons, claros e escuros, rasos e profundos, pareço contemplar tua alma. A luxúria que nos envolve… Lá está. A paixão que nos percorre… Ali é sua morada. Descubro fogo, escuridão, luz e calmaria, quando me viro. Teu olhar me penetra, me arrebata para longe, me arremessa sobre o chão. Uma prosa não seria capaz de descrever o que encontro, quando em meio ao amor tua face contemplo. Pois sinto-me exposta, teus olhos escuros revelam minha nudez, leem meu espírito, enquanto adentro em teu universo e leio o teu. Eu amo teu olhar e é isso o que digo… Nada mais importa.

Situação econômica

Standard

Chamem os economistas
E peçam-lhes que calculem
O valor de um abraço nestes dias.

De mim pra mim

Standard

Se eu fosse você
Não confiaria em mim
Mas como eu sou eu
Confio em mim e desconfio de você
Mas mesmo de mim pra mim
É um confiar desconfiado
Porque a qualquer momento
Minha memória, minha sombra
Ou minha inconstância
Podem me trair.

Forja da Palavra

Standard

Negou a inspiração
Negou as musas
Negou de Apolo o clarão
E até mesmo heróis e medusas
Trocou todo o seu dicionário
Porque enfim se entendeu operário.

Globalização

Standard

Por melhores que sejam os motivos
O mundo quer resultados
Não são fracos os compassivos
Mas também não são mais amados.

Objetividade

Standard

Três atiradores dispararam contra o alvo
O primeiro gastou cinco tiros por imperícia
O segundo gastou oito por puro tédio
E o terceiro, embora pudesse
Acertar com um tiro
Descarregou sua munição
Meramente para demonstrar habilidade.

O Inoportuno

Standard

És como o vento que anuncia a chuva e a tempestade,

sereno e intenso,

 trazes contigo o sabor da liberdade

e a personificação do abismo que se estende diante de mim.

És inoportuno e necessário,

doloroso, mas ainda assim desejado.

“Tranque a porta que nos liga”,

é o que diz minha razão.

Tome a chave e livre-se dela

pois já não nos encontramos no quarto do prazer,

e para mim já não há Oásis no deserto,

se tu o eras, se já não o é, se já não há, se já não…

No instante e no agora, meu coração se desfaz

Diz ele que te preciso, mas que seria melhor nunca te ter visto.

O conheci há muito tempo,

mas minha tristeza cresceu no momento em que te vi.

– Amar é dor!

Porque és tão querido e tão desejado…

E ainda és aquele que chegou com o céu nublado…

Perfeito e inoportuno.

Logística reversa

Standard

Te espero em dias úteis
Você vive seus dias corridos
Mas chegará o belo dia
De desistir dessa compra.

Em Prosa Busco Te Gravar

Standard

Te olho de cima a baixo… E de baixo vejo teu olhar se obscurecer. Essa cena da água que escorre pela tua pele e que navega ao meu encontro, de tua mão que desliza sobre minha face e de teu coração que palpita junto ao meu, busco fotografar nos cantos recônditos da minha mente para jamais esquecer teu corpo, duro, são, quente. Sobre o chão ajoelhada, submissa contemplo tua grandeza, teu tamanho me assusta e em meu interior até me intimido, mas não evito, olho para cima e busco te gravar, te gravar, apenas te gravar. Em outros dias, épocas, quem sabe até mesmo vidas, te compararia aos antigos Deuses e aceitaria de bom grado ser a mortal a quem possuirias. Mas agora, no momento, tu levemente abaixas tua cabeça e me corta com esse olhar que por dentro me inflama, que me chama, que me queima. A água é nossa amiga e cada gota parece reluzir em teu corpo, cada gota que escorre é uma lágrima de prazer, força, gosto… Tu és dono de todas as coisas e do teu gosto. Me encontro entorpecida e em meio a fumaça, as sombras, a pouca luz que no ambiente habita, te contemplo, te venero, teu olhar não é brando, mas duro, focado, embriagado, sincero… E me assombras, mas ainda assim me recuso a parar, pois me amedrontas, mas me penetras como se nossas almas quisesse eternamente ligar. E de repente, é isso o que somos, eu, tu, amantes, todas as coisas, nada, um. Os dias prosseguem mas ainda me encontro nesse momento, pois sobre o chão, a pedra, a parede e a cama, tu és minha casa primitiva, então deixe-me reviver esse teu olhar duro e maligno, pois necessito te gravar, te gravar, te gravar… Antes que a saudade e o tempo faça de nós desconhecidos. 

A brasileira e o inglês

Standard

Ela morria de saudade
Ele só respondia “I miss you”
E é por causa desse abismo
Que nunca deu certo.

Simples Assim

Standard

Se sobre teus montes eu me deito
E afago encontro em teu peito
Deixe estar
Deixe ficar
Deixe como está.
Pois duro e profundo
É o vai e vem sobre o violino.
E vejo trompetes e baixos
Nesse meu renascer feminino…

(Que música gera
Que aurora em mim desperta).

Chuva que cai do céu
Orvalho que se estende sobre o chão
O vidro diante de mim revela
O quão fria e quente é a terra pisada de teu coração.

Mas deixe estar
Deixe ficar
Deixe como está.
Deixe
Apenas deixe
Deixe profundo em mim pulsar.

Um Wilde atemporal

Standard

O enigma da esfinge
Não era nada sério
Tampouco era adultério
Pois era tão somente
Uma esfinge sem mistério.

Faltas e sobras

Standard

Tantas árvores liberando
Oxigênio no Amazonas
E falta oxigênio em Manaus
Falta a humanidade de agir
Sobra a crueldade a sorrir.

Indizível

Standard

Alguns sentimentos
Tão profundos, tão calados…
Indizíveis

– Não se permitem materializar
Na palavra escrita
Para aliviar meu coração.

E Aquela voz que se cala na garganta
É a lágrima que sem motivos
Escorre pelo rosto.
Sorrateira, insignificante
Indizível.

Aquele abraço que te envolve
Aquele olhar triste que te mira
Carregam em si o indizível.
Indizíveis são as dores
Que eles mesmos são.

Certa vez, considerei saber escrever
E pude por meio das palavras
Desenhar minha alma sobre uma folha.
Hoje, indizível é o lápis, o caderno e a língua.
Indizível é minha dor.
Indizível é isso que se lê.
Enquanto que etéreo é o meu ser.

Pensamento do farol

Standard

As marés
Trazem tartarugas à areia
Levam da areia folhas secas
As marés
Podem até rebentar no rochedo
Mas sempre voltam à praia
Trazendo vida nova às areias.

Vento vagabundo

Standard

Venha ver
Amável vento
Venta
Vagabundo
Meu vagar.

Especial de Natal + ano-novo 2021 (ou uma tentativa?)

Standard
GIF manjado mas bonitinho, vai!

Todo ano tem especial de ano-novo, e por que nesse não ia ter? Já tá tendo, e é este aqui. Antes de começar, vou dar uma boa respirada porque não tô escrevendo dentro de um gênero classicão! Me chama de doido, mas pra mim isso é lucro. Sério, é como tirar uma camisa de força. Ufa! Agora sim. É, geralmente eu faço especial de Natal e de ano-novo, um na virada de cada data, mas dessa vez este post aqui serve pras duas datas, e tá vindo aos onze dias do primeiro mês do ano. Por quê? Eu podia falar “porque sim”, mas prefiro dizer que tá tudo uma zona mesmo, então resolvi fazer diferente pra ser coerente com esses últimos tempos. E ah, tem a resposta sincera e curta, que é culpar a preguiça e a digestão das comidas de fim de ano. Ou qualquer combinação de todos. XD

Então tá, então. Nesse especial maluco e fora de hora, e meio sem gênero de texto definido, eu tinha pensado em falar uma série de coisas, mas mudei de ideia quando abri aqui o sistema do blog. Só pra não te deixar boiando, segura aí uma retrospectiva dos últimos capítulos: eu tinha retomado os conselhos amorosos. Sim, eu não entendo nada de nada do assunto e me meti a besta de dar conselhos amorosos pros outros. E teve mesmo um pessoalzinho que acreditou na minha capacidade de aconselhar e me contou muitas histórias! Não imaginava que ia chegar a esse ponto. Teve um momento que eu não tava dando conta de responder, aí parei. Depois voltei, mas acho que o povo não viu que eu tinha voltado a aconselhar. E as coisas foram ficando tão corridas que precisei me limitar a postar micropoemas via celular, a caminho de compromissos. O app de acesso ao sistema do blog não me notificou que ano passado duas pessoas me pediram conselho, e só agora vi eles. Só agora que entrei no sistema do blog pelo notebook. Pois é. Fiquei feliz por terem me pedido conselhos, mas também fiquei chateado porque só agora vou responder.

Pra essas duas pessoinhas que me pediram conselho e só vi agora, malz aí (mais conhecido como “me desculpa”). Já vi que são dois casos bem complicados, mas que agora estão na mão da pessoa menos indicada pra ajudar. É justamente por isso que a resolução que vou achar pode ajudar um pouco, muito ou nada. Pra saber, aguardem!

Agora seria a parte em que eu meio que faria uma geral no ano que passou, quase uma retrospectiva. O problema é que tudo virou de ponta cabeça, pra alguns mais, pra outros, menos, e coisas como a TV nos relembram disso todos os dias. Por isso acho que não compensa ficar martelando de novo e de novo certas coisas. Não sei você, mas não consegui fazer praticamente nada em 2020. Logo, dessa vez não consigo fazer uns parágrafos com a moral do ano, por assim dizer. Basta registrar que tô aqui digitando as primeiras coisas que me passam pela cabeça, e você tá aí lendo porque não achou nada melhor pra fazer. E essa é a maior vitória que a gente podia ter num momento como esses: estarmos vivos. Melhor que nada, né não?

Nesta semana vai ter um evento na facul. Na sexta (15) vou dar uma “palestra” (o nome oficial é pomposo: “comunicação oral”) sobre as franquias John Wick, Metal Gear Solid, Harry Potter e narrativas transmídia. Engraçado falar de cultura pop em uma universidade, e foi estranho ver esses temas na carta de aceite da minha participação. Estranho e engraçado, mas acho isso muito bom. Acho que cultura não é só o concerto com os sons do Villa-Lobos no Teatro Municipal, também passa por coisas comuns, como fazer o jantar ou pedir alguma coisa por aplicativo. É Dom Casmurro, mas também é livro do Paulo Coelho, ou qualquer outro best-seller. É uma instalação multimídia chique no MAM (Museu de Arte Moderna na cidade de São Paulo), mas também é o game que se joga em qualquer idade e alguns acham coisa fútil. É por esse tipo de pensamento que tô tentando levar cultura pop pra universidade. Bora fazer o povo torcer o nariz sim e quem sabe ter uma noção mais abrangente de cultura. Ainda essa semana eu vou compartilhar os detalhes. Você vai poder assistir ao vivo porque vai ser online. Aguarde mais essa também!

É, parece que o especial de fim de ano foi pro saco. Seja saco de Papai Noel (sem risadinha porque não foi piada do tio do pavê, hein?) ou um saco de ano que foi esse, o que aprendemos, crianças? Que o presente de Natal mais sensato é saúde. Que a resolução de ano-novo mais realista é sobreviver. E que o sonho mais promissor é poder abraçar de novo um monte de gente que a gente considerava pacas e sabia. Ou só descobriu que considerava muito justamente por não poder abraçar por enquanto.

Chega, né? Já falei as coisas que deram na telha, já salvei o especial de fim de ano, agora é ajeitar as coisas pra compartilhar isso aqui com o povo no Instagram.

Um abraço com os dois braço (a distância), feliz Natal, feliz 2021 e vem ni mim, vacina! XD

Piada íntima

Standard

Peguei o molho
Tentei todas as chaves
Até descobrir que a
Porta sempre esteve aberta.

2021

Standard

A criança levantou às cinco da manhã sem sono
Acordou os pais saltitando sobre a cama
Agarrou as mochilas e as atirou no porta-malas
Olhou pra fora e viu que caía um temporal
Ainda assim se debruçou na janela
Esperando, ansiosa, o tempo mudar.

Poema de ontem

Standard

Esqueci o poema de ontem
Mas alguém se lembrou
Pra saber, daria o vintém
Que ninguém me pagou.

Nacionalidades

Standard

Paciência oriental
Novela mexicana
Incompetência brasileira.

Mosaico de passados

Standard

O céu é um mosaico de passados
Se uma estrela está a oito anos-luz de nós
Significa que o brilho que vemos agora
É de oito anos atrás
Um manto feito de retalhos de passado
Vela nosso sono até o amanhecer.

Bebida

Standard

Nada tenho a dizer
Mas ao invés de
Me refugiar no silêncio
Direi a seguinte groselha:

Da janela do Quintana

Standard

O passarinho assobiou aos seus:
“Eles passarão.”
E a passarada passeou
Suas passadas aéreas
Como seus antepassados.

Anagramas do sentimento

Standard

É por amor
Que se cria boca para ir a Roma
Se convive com quem se mora
Se acredita na árvore ao se ver o ramo
Se vê atitude depois que oram.

Segredos de ventilador

Standard

Esperando as voltas do mundo
Me voltei ao ventilador
Girando girado rotundo
Pelo menos passa o calor.

Alinhamento

Standard

Uma corrida que não
É sobre chegar primeiro
É só chegar. É só isso e tudo isso
Tão logo seu corpo toque a
Fita da linha de chegada
Um alinhamento de planetas coroará
Seu triunfo. Triunfo momentâneo
Porque a próxima corrida
Já está para começar.

A crítica e o cidadão

Standard

A Crítica preocupada com o pensar do cidadão
E o sujeito só pensando em ganhar o pão
De um lado, mesa de livros, necessidades satisfeitas
Do outro, mesa vazia, provisões rarefeitas.

Vinícola oráculo

Standard

De onde venho
Se advinha o futuro
No vinho
O sabor clareia o paladar
A escuridão rósea
Abre o caminho.

Combina com limão

Standard

Em algum lugar desta cidade
Duas pessoas olharam a Lua
Ao mesmo tempo
Se molharam na mesma chuva
Mesmo em lugares diferentes
Da mesma cidade
E isso, meu caro, só
Pode significar uma coisa:
Nada.

Convite

Standard

Os dias são preguiçosos
Mas as noites…
Ah! As noites!
São um convite para
Dominar nosso
Próprio mundo.

Momento freudiano

Standard

Vibra nas palavras que gosta
Mas medita profundamente
Nas que te causam calafrio
É nelas que repousa
O que em ti queres ignorar.

Justa medida

Standard

Tanta coisa boa
Pra perder tempo à toa
E tem tempo ruim também
Pra valorizar o que se tem.