Desencanto

Não te conto
Para não gerar desencanto
O quanto me encanta
O seu cantar.

Foucault de verdade

Na
verdade
Não há
verdade
Só há vontade de
verdade.

Eco

Não há ausência de palavras
O silêncio suscita diálogos encobertos
A voz que se calou traz o burburinho das antecessoras
E o eco há de responder de volta.

Blocos concretos

Com blocos concretos de texto
Construí entendimentos
Mas seriam mais entendíveis
Se fossem menos lineares.

Azulejo

Céu azul, pois assim o vejo
O seu pode ser cinza, branco
Preto ou cor de azulejo.

Outono de folhas secas

Vem o frio, outono em suas folhas secas
Vem o cobertor; do café, o vapor
De seu corpo, calor; de seus beijos, amor
Vem o frio, outono de folhas secas
Página de livro virada, límpida e
Aconchegante madrugada
E mais que frio, é outono, é muito
Mais que folhas secas.

Última chamada na estação de trem

Ainda que mude o itinerário
O destino ainda é o mesmo
É melhor logo embarcar
Do que andar por aí à esmo.

Bomba de alegria em massa

Sorria, mas não apenas
Mostrando os dentes
Nem simplesmente abrindo os lábios
Mas de modo que em você exploda alegria
E, em uma reação em cadeia
A alegria exploda em mim também.

Areias do Tempo

Bem-vindas Areias do Tempo
A escorrer pela Ampulheta das Eras
A encher nosso Vaso do Entendimento
A obrigar-nos a desvendar nossos olhos.

Discurso

Diante de discursos vazios
Bebamos de nossos copos
Talvez venha a sinceridade bêbada
E o álcool nos liberte do medo
De agir como se deve.

Passeio no mar

Vamos navegar
Serei o capitão
Enquanto você observa o mar
Aproveite o passeio então
Que logo vamos chegar.

Realidade

O que se acolhe e o que se afugenta
O que se renega e o que se acalenta
São faces de uma mesma realidade
São momentos distintos da vontade.

8 ou 80

O que existe entre o 8 e o 80
É um equilíbrio tão delicado
Tão singular, tão cansativo
Que é mais fácil ficar nos extremos.

Brincando

É sério que estou brincando
Mas brincando também posso ser sério
Mesmo sério, posso é estar sonhando
E mesmo brincando, posso estar desperto.

Parceiros

Duas linhas se encontram
Ponto de convergência
Dois rostos que se afrontam
Mas sorriem com displicência.

Cafeteria da Vida

Era açúcar
Virou stevia
Equilibrada
Mas inclinada pro doce.

Ao Meu Demônio

Hoje cedo, aurora, acordei com meu demônio sobre minhas costas…. Senti seu peso que me afogava como em mil mares, senti minha alma se reduzir ao pó.

Eu acordei, mas mesmo antes de abrir meus olhos, tu vieste a minha memória. Eu sabia que te encontraria, sabia que pisaria sobre a mesma terra em que tu pisas todos os teus dias e por isso senti medo. Meu semblante, que antes alvo e calmamente se despertava, hoje alterado se manifestou, pois já não havia brilho em minha face, a tão alva expressão matutina se desfez e meu coração se preencheu com o terror absoluto que tu alojaste em mim. Agora percebo…. Minha alma é uma cova, onde tu resolveste te enterrar, pesado e profundamente, duro, doloroso, sem pedir permissão, sem pedir licença…. Tu, diabo querido, apenas te alojaste na cova de meu já tão sofrido coração.

E por isso, de tão penetrado e a mim pertencente que tu és, pela aurora vieram à minha mente lembranças de um tempo distante, pois tu como sempre me controlas, me dominas, me diz sobre o que tenho ou o que não tenho que pensar…. Tu me obrigas a reviver aquele dia e eu me sinto como uma condenada. Eu nem sequer tive direito ao purgatório, nem sequer fui julgada e questionada… E deus, o Deus em que eu antes acreditava, simplesmente me lançou diretamente ao inferno, para viver a morte de minha eternidade contigo e, assim sendo, sou tua escrava e tu, querido e amado demônio, meu fiel bisultor. Mas o que estás vingando? O que terei eu feito para merecer tal castigo? Tanto te odeio, tanto te condeno, tanto te repudio… E ainda assim, somos ligados como carne e unha, nossas tentativas de separação são sempre dolorosas e por isso sei, que mesmo que ainda um dia tu resolvas me deixar, tuas impressões estarão sempre sobre mim.

Tu comes a carne de meu espírito tal como o verme que do sepulcro surge… Tu és a larva que me reduz a insignificância e por tua culpa percebo eu que não sou nada… Tu não sabes o mal que me causa, tu não sabes o quanto me fere… Tu não sabes que teus atos me enlouqueceram e roubaram minha paz e sanidade. Tu não sabes no que me transformaste… Me parece tão injusto que tu estejas aí, em teu canto, te divertindo com os teus afazeres, te alegrando com os teus amigos e te vestindo nesta tua pele de cordeiro falsificada, com todos te adorando, com todos te venerando, com todos te santificando… Enquanto aqui eu estou, dia após dia, sendo por ti castigada em minha mente, em meu espírito, em meu corpo… E tu ages como se nunca em tua vida me tivesses feito sofrer ao tentar roubar minha única chama de felicidade.

Quero que tu sofras. Quero que pagues por todo o mal que me causaste. Quero que tu sofras da pior maneira, enquanto te assisto sofrer.

É difícil e me sinto péssima. Sou um péssimo ser… Talvez eu simplesmente mereça o que me foi dado. Estou louca, completamente louca! Me sinto ainda pior porque sei o que a seguir virá… E, talvez tu saibas que uma nova esperança, um novo recomeço costuma vir com a aurora, mas eu tenho somente a promessa de que ainda estarás comigo, dia após dia, querido demônio.

Pétala de flor

Voa, meu passarinho
Voa, pétala de flor
Pousa na grama com carinho
Voa, mas lembra do meu amor.

Ondas

Sentado na areia
O monge deixa virem as ondas
Deixa que lavem sua túnica
Que levem a camada de areia
E deixem em seu lugar
A rocha firme.

Sincronicidade

No emaranhado de fios
Em tantos feixes de tramas
Na teia de tantas vidas
No cruzamento das avenidas
Ainda que por acaso, aconteceu.

Abraços e acenos

Língua materna
Abraço de mãe
Língua estrangeira
Aceno para estranho.

Profecia arcana

A energia da Rainha
E a energia do Rei
Disseram-lhe para não ser sozinha
E que o deserto não é lei
A um é dado o dom de oferecer
E ao outro, o dom de receber.

Critério de julgamento

Me diga o que há
Em seu pote de sorvete
E te direi quem és.

Pinóquio mandou lembranças

Com tanta mentira
Deviam inventar
O dia da verdade
Mas ia falhar.

A rede

Para criar essa rede
Nós seremos os nós
Ligações que atravessam parede
E não nos deixam sós
Nós que formam a rede
Uma rede feita de nós.

Ou ela ou eu

Perguntei se gosta de poesia
Mas na verdade quis saber se gosta do poeta
Como quem sente a maresia
Como quem, sem fingir, se sente completa
E ainda tem espaço pra minha alegria
Mas volto a lhe perguntar, questão tão direta:
Gosta mais da poesia ou gosta mais do poeta?

Cantiga de aventureiro

Voando o vento
Soprando a contento
Virá V de vitória
Virará boa história.

Destaques

Desenho

Risco desenhado
Correu o risco
Não foi apagado.

Destaques

Felizes para sempre

Meu grande amor! Vamos nos juntar
Eu continuo como sou, perfeito
E você, por mim se deixará modelar
Vai aprender a ficar do meu jeito
E é você quem fará durar.

Cinzas de fênix

Após longa temporada nos Círculos Dantescos
Eis que da bruma ressurge o cavaleiro
A batalha já havia deixado cair as armas
E não havia donzela a esperar
Recusou ajuda do curandeiro e lhe deu um amuleto
E iniciou uma nova jornada:
Regressar às origens de si mesmo.

Mente humana vislumbrando a Verdade

Pensamentos abstratos
Rabiscos inexatos
Cor impressionista
Sabor surrealista.

Não Sou Um Homem Mau – Partes V e VI

Parte V

Sei que agora vai lhe parecer exagerado, mas tudo o que digo aqui é verdade e também é verdade que naquela noite, exatamente às onze e quarenta e cinco se iniciou uma linda e horrenda tempestade.

O sangue fervia em minhas veias enquanto os gritos de Ariel se propagavam pela casa. O cachorro latia alto e freneticamente. A casa estava escura e somente os raios iluminavam pausadamente alguns certos cantos. Eu queria ficar no escuro e longe de minha filha. Por isso tranquei a porta do quarto e me deitei, mas como o barulho era intenso demais para dormir, rolei diversas vezes pela cama, caminhei por todos os lados do quarto, fui ficando cada vez mais agitado. Eu tinha tanta raiva, tanto ódio daquela porcaria de criança, mas deveria me controlar, você sabe….

Em uma busca desesperada pelo autocontrole arranhei-me algumas vezes, puxei meus cabelos, gemi e também rosnei como um cão raivoso. Sentia cada vez mais, a cada grito de choro de minha filha, a raiva, a maldade, a perversidade e tudo o que há de mal neste mundo me possuir. Senti como se sete demônios habitassem em minha alma.

Já não podendo me controlar, abri a porta do quarto. O cachorro estava em minha frente, latindo, me agitando, me enlouquecendo…. Caminhei até o quarto de Ariel, vi-a deitada no berço contorcendo-se e senti prazer com aquilo. Me aproximei do berço e tudo o que aquela droga de menina sabia fazer era chorar, nunca poderia ser tão boa quanto sua mãe, tão perfeita como minha querida mulher. Não, não mesmo. Aquilo deveria acabar ali, pois era tudo culpa dela, tudo culpa daquela criança maldita…. Agarrei-a pelo pescoço e a estrangulei com uma sensação de quem está prestes a alcançar o ápice do prazer!

E então, de repente, paz. Silêncio. Ela finalmente havia se calado e o cachorro também.

Parte VI

Agora, fazem algumas horas que tudo isso aconteceu, mas estou aqui no chão, triste e arrependido, com Akuma ao meu lado, tranquilo, dormindo. Lágrimas escorrem pelo meu rosto enquanto estou escrevendo este ridículo relato antes que me descubram e me acusem injustamente, para que você saiba que…. Eu não sou um homem mau. Eu sou uma boa pessoa…. Mamãe dizia que Adam era uma boa pessoa. E, você sabe, Ariel estava gritando e… e… e… Ela nunca vai ser tão boa, tão, assim… Tão…. Tão perfeita quanto Angélica. A minha amada Angélica.

OBS: primeiro conto do meu livro “Linhas do Coração”

FIM

Sapiens e pratos de Triticum

Querido intrigante trigo
Domesticado pro nosso bem
Intrigados lhe perguntamos:
Quem é que domesticou quem?

Bolo sabor capital

Não se preocupe. O bolo é grande
Vai haver uma boa fatia para todos
Para todos que pagaram bem o boleiro
Enquanto os outros disputam farelos.

Lápis e caneta

Lápis e caneta, lado a lado
Só tinha escrito a lápis, mas caneta?
Meu caro, escrever de caneta
É responsabilidade
Talvez demais para uma criança
Ainda assim, com caneta
O guri passou a escrever
E mal sabia que já o tinha feito
E mal sabia que assim faria
Pelo resto de sua existência.

Não Sou Um Homem Mau – Parte IV

Parte IV

Pois bem, passaram-se dias após o enterro de minha mulher e algo em meu interior parecia mudar…. Ou eu deveria dizer que algo em mim parecia nascer? Seja como for, eu estava mudando, tudo estava mudando. Para começo de conversa, tudo parecia me irritar profundamente. A casa, os móveis, as pessoas, os objetos pessoais de minha esposa e até mesmo os meus. Tudo me incomodava e me parecia extremamente errado, feio, fora do lugar. Nada mais me agradava. Mas havia uma coisa, ou melhor, um ser que me irritava ainda mais profundamente do que qualquer pessoa ou objeto ao meu redor: minha filha, minha pequena Ariel. Contratei uma babá de período integral e uma empregada para cuidarem das tarefas da casa, do animal e da criança e, sendo assim, eu preferi me manter o mais afastado possível de Ariel, pois ela me irritava, tudo nela me irritava e movia em mim um certo ódio que me fazia fechar os punhos e desejar cometer algum crime. Mas eu estava bem, até que estava bem, com tanto que não precisasse ficar mais de dez minutos próximo de Ariel.

Certo dia, porém – e agora pensando, me parece que forças malignas trabalharam juntamente com o universo para fazer aquilo -, bem, como eu ia dizendo, houve algum tipo de imprevisto familiar com a família da babá e por isso tive de a dispensar às onze horas da noite. Nesse horário a empregada já havia terminado seu expediente e ido embora, sendo assim, voltaria somente no dia seguinte às seis horas da manhã. Eu então tive que permanecer sozinho na casa com o cãozinho e Ariel.

Você bem sabe que bebês choram e precisam de alguém por perto, então, por mais que eu tentasse deixar Ariel sozinha em seu quarto, longe de mim, ela não parava de ecoar seus gritos de choro por toda a casa, e, enquanto isso, uma raiva crescia em mim, uma certa necessidade de….

OBS: primeiro conto do meu livro “Linhas do Coração”

O andarilho e o lago

Havia um lago profundo
Duas margens e o andarilho
Uma carruagem o empurrou na água
E o andarilho, diante da morte certa
Descobriu que o lago era raso
Raso como sua própria fé
Rindo de si mesmo, caminhou
Caminhou pelo fundo do lago
E enfim o atravessou.

Navegante dos ares

O voar, desbravador
Perscrutador, o olhar
Movendo o ar, acolhedor
Encantador, seu planar.

Não Sou Um Homem Mau – Parte III

Parte III

Senti como se o céu estivesse desabando sobre mim, como se uma tempestade se formasse em meio a uma praia antes paradisíaca, como se…. Como se eu simplesmente tivesse perdido o amor da minha vida.

Sentei-me no chão e me encostei no sofá atrás de mim com aquela figura em meus braços e chorei alto. Gritei, berrei como uma criança há dias sem comer chora implorando pelo leite e afago da mãe. Minha pequena filha ao meu lado, era realmente pequena demais para entender a gravidade dos fatos e por isso, permaneceu me observando por alguns minutos, curiosa pelo jeito em que naquele momento de dor eu me expressava. Depois, vendo que nada parecia mudar, voltou a brincar com um pequeno bonequinho de borracha que a frente dela estava. O cãozinho parecia entender, por isso deitou-se no tapete e me olhou com aquela expressão triste e significativa que somente os cães sabem fazer.  Já eu? Eu permaneci ali, por horas e horas, deixando o vazio – que somente a dor da perda causa – me preencher.

OBS: primeiro conto do meu livro “Linhas do Coração”

Mistério ancestral

Envolta no manto da noite
Ora a Via Láctea lhe rodeia a cintura
Ora os anéis de Saturno
Repousam sobre o colo sombreado
Um cinturão de planetas como coroa
E cometas girando ao seu redor
Estrelas cintilando, ornando
O tecido intergalático de suas vestes
Mas eis que de dia se esconde
Na morada da origem de tudo.

Não Sou Um Homem Mau – Parte II

Parte II

Enamorado e extasiado como estava, naquele momento, senti que nada no mundo poderia me roubar o prazer de admirá-la, pois aquela figura que eu tanto amava era como um anjo e tudo ao redor se perdia em névoa e desfoque enquanto meus olhos fitavam sua graciosa presença que preenchia minha alma. Senti que nada no mundo me poderia roubar aquele prazer.

Mas senti que algo não estava certo e me alertei quando minha querida mulher me olhou nos olhos com uma expressão tão dolorosa e penetrante que pensei poder contemplar o inferno através de suas retinas negras como a noite. Ela colocou a mão pequena e macia sobre o seio, emitiu alguns gemidos…. Eu, eu procurei socorrê-la, você sabe, não é? Eu…. Eu…. Eu…. Eu realmente tentei mas por alguns segundos minhas pernas travaram sobre o chão como se estivessem presas a correntes fortes e e eu eu não consegui me soltar mas então eu me soltei e depois e depois vi que perdi tempo e no fim das contas os segundos os poucos segundos você sabe em que não consegui me desprender do chão aqueles poucos segundos aqueles malditos segundos! Me perdoe, me perdoe, por favor, creio que me alterei. Mas como eu dizia, aqueles poucos segundos em que me mantive preso ao chão – talvez devido ao choque que percorria o meu corpo – acabaram me impedindo de ajudá-la a tempo e, então, ela faleceu.

OBS: primeiro conto do meu livro “Linhas do Coração”

O rio e o aldeão

Em algum ponto do caminho
O rio correu na direção contrária
Em certo ponto do caminho
A água já não era mais tão pura
Mas o aldeão deu graças aos céus
E ainda assim bebeu daquela água
E agradeceu porque, ao menos
Lá continuava o rio que saciava sua sede.

Não Sou Um Homem Mau

Parte I

Ela estava linda. Gloriosamente linda. Suas curvas se destacavam por de baixo do vestido azul céu de cetim que perfeitamente se ajustava ao seu corpo, tão perfeitamente quanto uma mão feita para uma luva. Seus longos e negros cabelos cacheados pendiam de seus ombros para os pequenos e delicados seios como a água tranquila escorre pela janela após a tempestade. Via-se que ela era algo divinamente criado pelo Universo. Ela era divina. Sim, divina é a palavra correta. E eu a admirava de longe, encostado em uma das paredes da entrada do vasto corredor escuro que se prolongava atrás de mim. Ela, distraída e sorridente, com aquele sorriso perolado que se destacava em sua graça morena, que acalmava, porém inflamava meu coração, estava despreocupada com a vida e brincava com o pequeno vira-lata negro que tanto amava, sentada no vermelho tapete que se destacava em nossa sala amadeirada, junto a uma criança quase tão linda quanto ela. Uma criança. A sua criança. A nossa criança, quase tão linda e perfeita quanto ela. Mas nada ali, nem mesmo no universo e nem mesmo no próprio paraíso – e que Deus me perdoe! – poderia ser comparado à sua beleza. Nada no mundo era tão perfeito quanto ela e eu…. Eu não poderia ser mais divinamente agraciado. Eu era o homem mais feliz existente sobre a terra dos viventes.

OBS: primeiro conto do meu livro “Linhas do Coração”

Velas a mais

Não se envelhece por causa
De meras velas a mais no
Bolo de aniversário
Envelhecemos quando
Paramos de aprender.

Conselho amoroso: Carla

“Peguei meu marido assistindo pornografia, eu já havia falado que não queria aquilo mas ele me decepcionou, pois me sinto traída, feia e insuficiente. Como devo agir, pois ele disse que ia mudar? Mas eu estou muito triste.”

Carla

Oi, meu bombomzinho de chocolate! Tudo bem ? Musa Oliver aqui. Vamos lá, seu assunto é extremamente polêmico, mas eu já estive em sua pele, por isso acredito que posso te aconselhar de uma forma mais ou menos racional (kkk). É o seguinte, meu amor, primeiramente, não espere que um homem te faça se sentir bonita. Vá ao salão, se arrume, mude o cabelo, troque de roupas, faça o que for preciso até que você entenda que VOCÊ é quem precisa olhar no espelho e se achar gostosa e maravilhosa! Segundo ponto: as mulheres infelizmente foram criadas sob uma prisão mental que as impediram durante anos de descobrir o verdadeiro prazer nas mais variadas formas que existem, como por exemplo, na pornografia. Há mulheres que gostam, outras que não e há também aquelas que militam pelo fim da indústria pornográfica. Nessa vida, há de tudo. Eu entendo que você não goste dessa prática do seu marido, mas vou te contar um segredo: o homem é um animal macho TOTALMENTE VISUAL e para eles, a EXPECTATIVA pode ser mais prazerosa do que os ATOS em si. O fato de ele assistir pornô não significa exatamente que ele não te ame, nem te ache atraente ou coisa do tipo. Durante meus anos nessa indústria vital, me deparei com muitos homens que são literalmente viciados em pornografia e, acredite você ou não, eles na realidade sofrem com isso, tanto de forma física quanto psicológica. Obviamente, não sei qual é o caso do seu marido e por isso entramos no meu terceiro ponto: DIÁLOGO. Amiga, conversa com ele, seja inteligente, fale de um jeitinho que faça ele se sentir confortável para se abrir a respeito disso contigo – pois a maioria dos homens acredita que não pode conversar sobre seus sentimentos – e faça o mesmo por ele e por si mesma. Já parou para pensar no porquê você se incomoda com tal fato? Qual o real motivo? Será que é por uma falta de autoestima que você mesmo gerou? Que alguém gerou? Será que é por questões religiosas? Talvez por questões morais de criação? Meu quarto ponto é: abra sua mente, gata! Alguém aí tem que dar o braço a torcer, se ele não consegue, tente fazer algo a respeito também, use sua sensualidade e seu poder feminino. Se ame mais. E outra: você vê isso como um problema, EU vejo como uma oportunidade para que os dois sintam ainda mais prazer na relação. Já tentou assistir com ele e tornar isso prazeroso para os dois? Se não quiser mesmo, tentem fazer algo novo, pois isso também pode ser um sinal de que o relacionamento entre vocês está mais frio – nada que não possa ser resolvido com um pouquinho de amor e criatividade de ambas as partes. Mas acima de tudo SE AME MAIS! OLHE NO ESPELHO E DIGA: “QUE MULHERÃO DA PORRA! CARALHO, COMO SOU GOSTOSA!” Se valorize, meu amor, pois por experiência própria te digo que uma mulher que se ama, se cuida, se valoriza e é independente faz tudo isso transparecer para aqueles que estão ao redor e automaticamente faz com que as pessoas se interessem ainda mais nela. É isso, gatinha, um cheiro no seu coração. Espero ter ajudado, minha princesa! Beijos!

Ass: Ingrid Oliveira / Musa Oliver

Conselho amoroso: Laisa

Olá, não sei se estão parados ou não, mas vou tentar. Namoro há um ano e alguns meses a distância com um garoto e ele vem pra cá pelo menos duas vezes no ano pra me ver. Última vez que veio foi mês passado, ficou 15 dias aqui. O problema é que nesse período eu acabei descobrindo que ele ficava paquerando a “melhor amiga” dele e pediu fotos dela pelada enquanto estava comigo! Ele ficava falando com ela no tempo em que estávamos juntos!! Eu fiquei muito puta com isso e fui tirar satisfação. Mas no fim, o coração é mole, então acabei perdoando, porque ele disse que se arrependeu muito, não vai mais fazer, etc e etc. Porém, desde o começo do namoro eu tive uma certa dúvida em relação aos meus sentimentos. Eu nunca senti que me apaixonei de verdade por ele, sabe? Mas teve vezes que eu senti um amor muito grande. Quando ele começou a falar comigo, já mostrou interesse logo no primeiro dia, e depois quando vi já estávamos nos tratando como namorados. Fui lá pra cidade dele recentemente, conheci a família, ele veio aqui, fez o mesmo e tal. Mas desde o primeiro encontro, quando nos conhecemos pessoalmente, eu já não senti aquela paixão… Sabe quando você fica meio decepcionada? Porque virtualmente a pessoa é uma coisa, né? Pessoalmente é outra. Por causa disso, tive que aprender a gostar dele de novo, digamos assim. Passou-se o tempo e quando fui lá pra cidade dele, comecei a me questionar se gostava realmente dele, porque ele fez muitas coisas que eu não gostei, e eu senti um pouco de vergonha dele também. Enfim, quando ele veio aqui depois, saímos pra ver um filme e não concordávamos em qual assistir: ele gosta de uma coisa, eu de outra… Isso é um problema também. Somos bem diferentes um do outro, não gostamos das mesmas coisas e nem temos o mesmo senso de humor, dificulta muito também na conversa, quase não conversamos sobre outros assuntos. No começo mesmo era só “eu te amo”. E eu sou daquelas que gosta de rir, sabe? Gosto que façam piadas pra eu rir, sinto que a pessoa quer me ver feliz, e ele não faz isso. Foram poucas as vezes que eu ri muito de verdade com ele. Além disso, nas vezes que ele vinha pra cá, eu não me sentia completa. Muitas vezes fiquei triste e pensando se ele me fazia feliz; já falei isso pra ele e ele, não querendo que eu o abandonasse, disse que faria de tudo pra me deixar feliz. Bom, mas acontece que ele veio falar comigo sobre isso ontem, botou as cartas na mesa, e na hora de terminar… Eu não consegui. Ele falou tudo que eu pensava, eu tava com medo de trocar ele e me arrepender, digamos assim. Mas mais do que isso, eu sinto que gosto muito dele, apesar de tudo. Ele disse que ele me acha perfeita, mas que eu não acho ele perfeito e isso é um problema. Mas eu não encarava assim, sabe? Pra mim é muito difícil alguém ser perfeito pois sou muito exigente, e acho que todos temos defeitos e faz parte do relacionamento um superar isso no outro, sabe? Importante dizer também que é a primeira vez que namoro pessoalmente, da outra vez também foi virtualmente, mas não deu certo (e olha que eu sentia que amava muito o cara). Enfim… A grande questão mesmo é: não sei se gosto realmente dele, o que fazer? Já pensei muito sobre isso e a conclusão que sempre chego é a de que quero ficar com ele. Mas também tenho medo de me arrepender disso… São tantas coisas… Ele diz que me ama muito e sempre fez muita coisa por mim. Minha mãe tem o sonho que eu case, sabe? Não quero casar com alguém que não gosto ou acabar me separando depois… Já imaginei muito um futuro com ele, eu sempre senti que aprendi a aturar essas coisas que não gosto, sabe? Mas parece que cada dia ele faz mais coisa… Hahaha aaii, complicado!! O que eu faço??!

Laisa

Oi, lindinha! Musa aqui, ou melhor, Ingrid Oliveira. Nega, vou ser bem sincera, há muitos anos atrás, quando era mais jovem, também tive um tipo de “Relacionamento” a distância e simplesmente não funcionou. Eu acredito que o ser humano seja um ser social, então, principalmente quando se trata de relacionamentos amorosos, precisamos mesmo do contato físico com uma certa frequência maior – coisa que vocês dois não estão tendo. Eu não me sinto na posição de julgar seu namorado e até mesmo você, mas acho que mesmo com relação ao maior amor de nossas vidas, é importante manter o pé no chão e ser o mais racional possível. Ele disse que não iria mais fazer “aquilo”, okay, mas ele é apenas uma pessoa que pode acabar fazendo novamente e isso pode te machucar profundamente. Em todo o tipo de relação sofremos riscos, mas acredito que em seu caso, a grande distância e o pouco contato físico prejudicam muito em seu desenvolvimento. Me chamou a atenção quando você disse que não sentiu aquele “Tchan” (Hotel Transilvânia) ao encontrá-lo pessoalmente, então o que eu sinto é que você está extremamente perdida, por isso pare um pouco para refletir e pergunte a si mesma sobre o que realmente quer e o que realmente sente a respeito do rapaz, pois isso pode apenas ser uma ilusão virtual, motivada, de repente, por alguma carência da sua parte. Talvez. Apenas suposições aqui. Mas se decidir que realmente gosta dele e que quer insistir nesse relacionamento, vocês precisarão encontrar mais pontos em comum, pois relacionamento amoroso não é apenas beijos e abraços e sexo. É também altas conversas interessantes pela madrugada, é amizade, carinho, aconselhamento, é fazer planos sobre a vida e não apenas sobre o amor. Resumindo, meu conselho é: pare para meditar e descubra o que realmente quer e o que realmente sente. A partir daí, saberá exatamente qual o próximo passo a ser dado. Um cheiro no seu coração, princesa. Espero que fique bem!

Ass: Ingrid Oliveira / Musa Oliver

Conselho amoroso: Anônimo

“Eu namoro há quase um ano, mas venho me sentindo estranha em relação ao meu namoro. Não sei se sinto o mesmo que antes por ele, mas sei que, se terminar, vou sentir falta. O que eu faço? Ele é um ótimo namorado, me trata bem, é fiel e faz de tudo pra me ver feliz, mas às vezes age demais igual criança.”

Anônimo

Anônimo,

Hmm… Daqui acho que tô vendo uma cabeça e um coração confusos. Mas, olha, é normal que os sentimentos mudem ao longo do tempo em uma relação. Eles podem evoluir, regredir, virar outra coisa… E é bom perceber isso, e melhor ainda resolver, em caso de incômodo.

Pelo que você me conta, o cara tá fazendo de tudo pra te ver feliz. Tá se esforçando e parece ser bacana. O único porém é ser infantil em alguns momentos. Colocando na balança, o que pesa mais pra você? Não importa a relação, nunca vamos estar 100% contentes. Nem com a relação nem com a pessoa. Se você vai sentir falta se terminar, e a única coisa ruim é a infantilidade do cara, que não é todo dia, resta saber uma última coisa: o que é essa infantilidade e se vale a pena terminar por ela.

Eu explico. Se a infantilidade é piada de tio do pavê e todo o resto anda bem, terminar é furada. Mas se ele é infantil porque tira racha bêbado com um carro que vocês estão pagando em 36X, bem quando tem blitz, acabar com tudo é uma opção.

Agora, se você não ama o cara e gosta de outro, a situação é totalmente diferente… Valeria a pena terminar e ir ser feliz com quem você gosta, por mais perfeito que o namorado atual seja.

Um abraço, e se cuida! 😀

Rafah