Mulheres-galinha

Mulher pegadora é tachada de vadia. Mas não deveria…

Apesar de tudo o que foi feito, as mulheres não têm os mesmos direitos que os homens. Um bom exemplo disso é a forma de levar a vida sentimental. Se o cara pega várias na mesma noite, ele tá honrando a espécie, tá sendo homem. É um pegador. E se uma mulher faz o mesmo… Chamam de puta.

Lógico, homens e mulheres têm todo o direito de catar quanta gente quiser. Mas convenhamos que a sociedade aceita e acha normal os homens ficarem com várias mulheres, enquanto condena impiedosamente toda moça que tem mais de um namorado. Em ambos os casos a situação é a mesma (pessoa que pega geral). A única diferença é o sexo da pessoa. Homem pode, mulher não. É isso mesmo, produção?

O fato é que, mesmo entre as mulheres, muitas acham feio a moça pegar vários caras. E entre os caras, a garota que sai com vários perde valor (“não é pra casar”). Algo meio óbvio, porque, se a pessoa sai passando o rodo, a última coisa que ela quer é um relacionamento sério, NAQUELE momento, não necessariamente em todos os outros.

Proponho uma mudança no discurso: homens e mulheres que pegam geral ou são pegadores ou são galinhas. Não é inteligente classificar pessoas que fazem a mesma coisa em categorias diferentes apenas por causa de seu sexo.

Resumindo a ópera, digo que a mulher tem sim o direito de sair com quantos ela quiser. Mas ela vai precisar ter uma autoestima muito forte pra não se importar com os nomes que vão chamá-la na rua. Porque a sociedade brasileira é, sim, extremamente machista.

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Cãozinho perdido no clichê

A manhã cintilava um brilho dourado e esplendoroso sobre a cidade. Aquela região específica era um vale que descia em contornos curvilíneos, cobertos com grama, ladeados por um conjunto de prédios e construções formando ruas estreitas entre si.

Logo do outro lado uma avenida que se deixava escorrer sob a forma de ladeira, de quando em quando desaguando em ruas laterais quase como se fossem bifurcações, rios mudando de curso ou ligações entre artérias e veias.

Esse outro lado do vale continha bancos, lojas, um posto de gasolina, um supermercado bem na esquina e alguns pedestres espalhados aqui e ali. Eles eram ora escassos, ora mais numerosos, atravessando a avenida, passando por caminhos feitos na grama perto do ponto de táxi onde os motoristas relaxavam sob as telhas do quiosque.

Vários taxistas reunidos ao redor de uma mesa e gritando entusiasmados, parecendo bêbados, se deixando levar pela diversão de uma partida de dominó.

Próximo dali, um estacionamento, e atravessando a rua, uma sequência adorável de restaurantes, bares, lojas e escolas de idiomas. Tudo muito harmonioso, planejado, bonito mesmo.

Atravessando as ruelas espremidas entre essas construções com estabelecimentos comerciais variados, uma rua curva beirando a entrada de um condomínio luxuoso. Diante da portaria, um ponto de ônibus. O veículo parou por um momento nesse ponto para que os passageiros descessem. Uma moça banal e um cara de mochila nas costas desembarcaram. Quem era esse cara? Era eu.

Olhei ao redor, observando o asfalto sempre impecável, quase um tapete de veludo negro, as construções harmoniosas, a grama e as árvores ladeando todo o caminho. E a forma doce e iluminada que o sol alegremente coloria tudo isso.

Mas como sempre, eu ando com os olhos fazendo uma busca pelo micro, o pouco usual, ou simplesmente aquilo que é tão comum que costuma passar batido. Dessa vez não era alguém com o olhar perdido no horizonte, pessoas conversando um papo bizarro ou nada do tipo.

Era só um folheto. Colorido. Bem impresso em papel de qualidade, colado no painel de fundo do ponto de ônibus.

Passei os olhos pelas letras. “Cãozinho perdido”. “Yorkshire”. “Crianças doentes com saudade”. “Oferecemos recompensa”. Tudo isso em um layout bem diagramado, os elementos da página equilibrando elegantemente texto e imagens. Fontes ou tipos de letra bem escolhidos.

Até cheguei mais perto quando notei que o papel parecia ser de qualidade superior. Toquei a folha, deslizando por ela com o indicador, e era um papel liso, de brilho fosco. Concluí que, sendo esses folhetos impressos em quantidade, dada a qualidade do projeto gráfico e do papel, aquele esforço para encontrar o dog perdido não sairia barato.

Claro que todo aquele projeto gráfico pra um folheto de cão desaparecido saltou aos olhos, mas o ponto mais peculiar é o poder do clichê. Repare em todos os cartazes de procura-se do gênero e você vai encontrar quase que sempre as mesmas palavras-chave. Guardadas as devidas proporções e especificações de pressão e temperatura, claro. Odeio os clichês porque eles são gastos, previsíveis, esperados. Mas o fato é que os clichês funcionam.

Já estão consagrados, e justamente por estarem gastos todo mundo conhece de longe, quase como pessoas de hábitos tão rotineiros que sempre se sentam em um banco específico da praça, no mesmo horário, todos os dias, ou vão até a máquina de café pegar um cappuccino com dose extra de açúcar sempre às 4 da tarde. Previsibilidade, zona de conforto. Dispensa explicações detalhadas.

Esse clichê do folheto tem uma carga emocional já testada com outras plateias. Uma carga emocional que atinge em cheio o receptor que acredite nessas frases feitas. E por ser uma frase feita barra fórmula consagrada não precisa de muito tempo pra ser elaborada. Custo com brainstorm é zero. Aí o resto do orçamento pode ficar pros demais processos de produção desse material.

Taí o poder do clichê. Nem sempre a gente precisa ficar espremendo cérebro pra fazer suco de ideia boa. E claro, que encontrem o Yorkshire e o levem ao dono, cujos filhos são crianças saudosas de seu pet, e que realmente haja a tal recompensa. Se bem que eu acho que fica na base do “Deus lhe pague”.

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Deslocados

… Então olhei ao redor. Vi que sobramos de pé na dança das cadeiras.

Que seja. Vamos embora juntos.

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Procurando emprego

— Sua idade?
— 22.
— Ocupação?
— Estudante.
— E o senhor estuda o quê?
— A Vida.

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Protagonista

“Levantar âncora!”. O lance é que talvez eu me sentisse o próprio Jack Sparrow nesse momento. Estando parado no corredor, bem no meio dele, olhei para o seu final, onde se ergue o quintal por trás do arco que estrutura a sua entrada.

Um flash, a luz, vultos, raios luminosos, e se materializa ao fundo uma visão agradavelmente familiar… O céu nunca é o mesmo através dos dias, mas se parecia muito com o que eu enxergava antes de ser envolto pelo Manto da Lembrança.

Céu azul, nuvens imensas, brancas, de aspecto macio, fofo, verdadeiras massas majestosas de algodão tão branco e puro quanto a alma do mais sublime dos anjos.

Velas içadas, barco sendo chacoalhado de acordo com os desmandos de um mar indiferente e genioso, que não se importava com as vidas que poderia trazer às suas profundezas, caso em um acesso de fúria traduzido em tempestade colocasse um fim à vida de tripulações inteiras, expedições, progresso e glória.

Me espanto ao ver que, manejando o timão, está tão somente um garotinho. Olhando para o céu, observando as velas azuis tremularem, submissas aos caprichos inconstantes do vento morno. Tempo quente, tarde escaldante e iluminada.

O rosto da criança subitamente se vira, e então vislumbro seus olhos castanho-escuros, agora adquirindo um tom poético de mel, e a alma que vejo por trás dessas janelas…

É estranho, tudo o que se passa ali é uma versão antiga, arcaica, de tudo aquilo que se transformou, evoluiu e que enfim deu origem a tudo o que sou hoje.

Mas a essência fundamental é a mesma, a minha essência. Uma piscada sutil faz um dos olhos dele se fechar discretamente, e sentindo uma carga ser despejada com energia em meu corpo, percebo que a realidade novamente é o plano de fundo da história onde sou o protagonista. Visões que me lembram quem fui…

Visões que me dizem quem sou.

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Clube da Luluzinha

Existem coisas na vida que eu nunca vou entender. Nem saber, porque é como se rolassem em um território sagrado onde os caras não entram. Pensando bem, não é como se fosse, é exatamente assim (alguém aí tá lembrado de Themyscira, aquelas quebradas da Mulher Maravilha onde não entrava homem nem ferrando?). Faz parte daqueles mistérios mais misteriosos que tão lado a lado com a origem do universo (pra quem não acredita nas paradas do Gênesis), a solução mágica que acabaria de uma vez só com a fome, a miséria e as guerras nessa bolinha azul, e a cura da AIDS.

E não é exagero, pelo menos pra uma parcela da população mundial. Não tá entendendo bulhufas do que eu digo? Simples, só se lembrar de todas as rodinhas de conversa que cê já participou na vida, um rolê com os amigos, os tempos da escola, da facul… E o que rolava APARENTEMENTE sem motivo, completamente do vácuo. Ainda hoje lembro intrigado o quanto era surreal ver minhas amigas, no meio de um papo, de repente olharem disfarçadamente umas pras outras, como se tivessem transmitindo algum tipo de mensagem por telepatia, e então convidarem umas às outras para ir ao banheiro. Nunca sozinhas, nem uma, nem duas, e sim uma garota em torno da qual gravitava um verdadeiro comitê de apoio. Bem umas cinco gurias indo ao toalete ao mesmo tempo, e a minha cabeça dando voltas e tentando imaginar mil teorias pra aquilo, fazendo o cérebro dar nós federais.

Daí as carteiras ao meu redor ficavam vazias, eu fazendo esforços mentais dignos de Einstein quando tava formulando a Teoria da Relatividade, e quase meia hora depois voltavam minhas amigas uma por uma, passando pela porta, às vezes com carinhas de riso sufocado com um esforço do caramba, ou então estranhamente caladas, ou aliviadas e satisfeitas. E eu me perguntando? “Que p@#$% é essa?”.

Se eu me atrevesse a perguntar qualquer coisa, teria a resposta óbvia, ou então todas elas ficariam olhando pra cara umas das outras, esperando que alguém tivesse a moral de inventar qualquer maldita explicação pra me enrolar. O tempo foi passando, e eu sem entender porcaria nenhuma, então descobri a internet, o Santo Google e o apelidado Kut (Orkut). Se você quiser perder tempo pra procurar, vai achar nessa rede social coisas como “mulheres vão ao banheiro pra falar bem dos homens e mal das mulheres”. Não é que isso é quase toda a verdade?

Nenhuma novidade pras gurias, mas a real é que muitas vezes essas idas ao banheiro coletivas (algo extremamente normal pras mulheres) são estratégicas demais… Mais real que isso é que lá é o lugar perfeito, hermeticamente fechado pra visitação masculina e completamente seguro onde as mulheres podem ser mulheres. Estão seguras pra falar O QUE QUISEREM sobre QUEM QUISEREM, e é certo que você já foi a enésima vítima das fofocas de banheiro feminino. É quase a mesma coisa de um salão de beleza, um pulo na casa da vizinha pra uma demonstração de cosméticos ou um chá de bebê (que qualquer um sabe qual é o verdadeiro objetivo…).

Resumo da ópera em português: é um santuário sagrado das garotas, onde rola sem preconceito, censura ou pudor os papos mais tensos que se possa imaginar, como detalhes picantes do relacionamento das envolvidas no papo, coisas mais leves e previsíveis, como “MIGAHHHH! Como o carinha do terceiro andar que faz Física Quântica é FOFOO! Tô com vergonha, me ajuda a chegar nele?”, tabelinhas de você sabe o quê, o quanto a “indivídua” que viram em qualquer lugar tá usando algo inaceitável de acordo com as tendências de moda, a vida umas das outras, cores de esmalte, fofocas de qualquer coisa ou então você.

É isso aí, e essa situação eu já senti na pele… Direto é reto, as meninas deram pro banheiro uma função muito mais interessante e digna de filmes de conspiração política. Viagem, mas é bem por aí. E no mais, restam as coisas óbvias a se fazer lá, e que também demoram pra cacilda, tipow dar um tapa na maquiagem, cabelo, coisas assim… E quanto ao resto, não me pergunte, não consigo supor mais nada… Mas esteja certo de que seus segredos mais íntimos podem estar sendo revelados nesse exato segundo em qualquer roda de miguxas num banheiro de shopping…

Ainda hoje, quando espero por muuuuuuuuito tempo minha namorada e amigas se reunirem no Clube da Luluzinha, tenho uma curiosidade absurda sobre o que tá sendo falado secretamente lá. Mas agora sacando finalmente que o equivalente masculino seria o bar, onde rola o chopp com os amigos, e onde os caras podem agir como caras.

Falar vulgarmente de mulheres, comentar sobre o placar do jogo do Timão, xingar até dizer chega o juiz do jogo não sei das quantas, comentar a capa da Playboy do mês, jogar cartas, encher a cara até umas horas, se refugiar de uma DR federal com a patroa, enfim, liberdade pra viver sem medo o que caracteriza e diferencia os dois sexos. E viva as diferenças! De alguma forma essas duas espécies tão diferentes se completam. É só os homens estarem mais propensos a ouvir, e as mulheres, menos propensas a julgar.

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Perfil fake te adiciona

O alerta é dos tempos em que Orkut era a modinha nacional, e continua servindo nessa era das curtidas – apelidada de tempos do Face.

Direto e reto, é quando aparece do vácuo uma pessoa querendo te adicionar aos chegados dela.

Detalhe: essa pessoa você nunca viu mais gorda. Aí vem um dilema federal: adicionar ou não adicionar?

Estranhos? Nem pra banho

Por padrão, o certo mesmo é NUNCA adicionar quem tu não conhece, por motivos de segurança e bla-ble-bléus.

Maaaaas a gente sabe que de vez em sempre aparece tipow uma pessoinha muito incrível, e a gente tem vontade de fazer muito mais do que só adicionar.

Pra usar uma expressão clichê, é aí que mora o perigo.

Perfis de Face (e qualquer outra rede social) podem ter sido criados por uma pessoa que quer fuçar suas atividades na internet (e fora dela) sem que você saiba disso.

Pessoas que podem querer espionar seu perfil são ex-rolos que ainda ligam pra quem tu leva pra humilde residência, amigos mesmo, conhecidos ou então golpistas de internet.

Ou qualquer combinação de todos.

Sentido de aranha ligado…

O jeito mais fácil de se livrar dessa é barrar todo e qualquer perfil-oco, que são aqueles que não têm foto, não têm amigo, não têm capa, enfim, que não têm porcaria nenhuma.

Outra precaução super válida é barrar os perfis recém-criados (que foram feitos ontem, e a primeira pessoa que o condenado quer adicionar é justamente você).

E… Manter o sentido de aranha sempre ligado…

Foto: clubeparacachorros.com.br

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